Do que é feito um tempo de reação
Um quarto de segundo não é hesitação. É o limite de velocidade da carne e do nervo, e cada milissegundo dele já tem dono.
Toque na tela no instante em que ela fica verde e passa cerca de um quarto de segundo antes de qualquer coisa acontecer. Esse intervalo parece lentidão. Não é; é o itinerário de um sinal que tem distância real para percorrer e trabalho real para fazer no caminho, e nada disso é opcional.
O itinerário
A luz do campo verde bate na sua retina, e o primeiro custo é pago na hora: os fotorreceptores e os circuitos da retina levam mais ou menos 20 a 40 milissegundos para transformar luz num sinal nervoso que valha a pena mandar. O sinal sobe pelo nervo óptico e chega ao córtex visual, na parte de trás da sua cabeça, por volta de 50 a 80 milissegundos. Só agora o seu cérebro contém o fato de que alguma coisa mudou.
Reconhecer que a mudança é aquela que você estava esperando, e soltar a resposta que você já tinha preparado, leva a fatia maior e mais variável: algo como 60 a 120 milissegundos de trabalho cortical. É essa a parte que a atenção, o cansaço e a cafeína empurram para lá e para cá, e a parte que muda de uma rodada para outra mesmo quando você se sente idêntico.
Depois o comando motor viaja do córtex motor pela medula espinhal até os músculos da sua mão, em velocidades de condução que parecem rápidas e não são de graça: mais 10 a 20 milissegundos. O músculo se contrai, seu dedo percorre os últimos milímetros e a chave embaixo dele fecha. No total: cerca de 180 a 250 milissegundos para um adulto treinado num dia bom, antes de o equipamento entre você e o site somar a parte dele.
É por isso que o teste de tempo de reação recusa qualquer toque abaixo de 100 ms. Nada humano vai do olho ao músculo tão rápido; um toque abaixo de 100 é um chute que deu sorte, e contá-lo faria da pontuação, em parte, uma loteria.
Um sinal, nenhuma decisão
O que o teste simples mede é despido de propósito: um sinal, uma resposta preparada, nada para decidir. Você não está escolhendo clicar; você decidiu clicar minutos atrás, e o clique está parado no seu sistema motor como um arco esticado. A luz verde só o solta. É também por isso que a espera é aleatória: se a virada pudesse ser contada, você não estaria reagindo à luz, e sim prevendo a luz, que é outra habilidade, com teste próprio.
O fisiologista holandês Franciscus Donders resolveu isso em 1868 com nada além de um tambor giratório e paciência: meça o caso simples, depois acrescente ingredientes um a um e subtraia. O método dele, com um século e meio nas costas, ainda é o jeito como os testes de reação são construídos, inclusive os deste site.
Acrescente uma decisão e pague por ela
Dê ao sinal quatro identidades possíveis, cada uma exigindo a sua própria tecla, e a resposta não pode mais ficar engatilhada. Agora o cérebro precisa identificar o que viu, selecionar a resposta correspondente e só então se mexer. O teste de reação de escolha mede exatamente isso, e te mostra o preço em forma de número: o lag de decisão, tipicamente de cem a duzentos milissegundos por cima da sua base.
O preço tem lei. A lei de Hick, de 1952, diz que o tempo de reação de escolha cresce mais ou menos linearmente com o logaritmo do número de opções: cada vez que as alternativas dobram custa mais ou menos a mesma fatia extra. Quatro cores são duas dobras a partir de uma; oito custariam mais uma fatia, dezesseis outra. O seu teclado fica sem teclas de descanso antes de a lei ficar sem fatias.
Acrescente um “não”, pague de outro jeito
Existe um terceiro ingrediente: às vezes a resposta certa é não fazer nada. O teste vai / não vai faz a maioria dos sinais exigir um toque rápido e uma minoria proibir esse toque, e mede se você consegue cancelar uma ação que o seu corpo já preparou. Isso é inibição, e ela falha de um jeito característico: o vacilo, o toque que escapa numa luz vermelha. Vacilos não são lentidão; quem responde rápido e confiante vacila mais, não menos, porque o dedo deles já está no meio do caminho quando o vermelho chega.
A saída de emergência
Atletas que devolvem saques a 200 km/h não têm tempos de reação sobrenaturais; medidos em laboratório, atletas de elite ficam só um pouco abaixo da média. O que eles têm é previsão: leem o lançamento e os ombros de quem saca, e a resposta deles já está planejada antes de a bola existir como estímulo. Essa habilidade, agir de modo que o seu movimento chegue exatamente quando o mundo precisa, é antecipação, e ela tem um teste só dela aqui, pontuado em milissegundos de erro de previsão, e não em milissegundos de transmissão.
A ordem prática dos três números surpreende as pessoas: um bom erro de antecipação (algumas dezenas de milissegundos) é muito menor que um bom tempo de reação (uns duzentos), que é menor que uma boa reação de escolha (de quatrocentos a seiscentos). Não são medições concorrentes de uma velocidade só. São três trabalhos diferentes, e os milissegundos querem dizer coisas diferentes em cada um.
O que o número não é
Um teste de reação no navegador lê o seu sistema nervoso através de uma tela e de um dispositivo de entrada, e os dois somam milissegundos reais e mensuráveis que pertencem à máquina, não a você. Ele também lê você hoje: sono, cafeína, hora do dia e simples prática mexem no número mais do que a maioria das pessoas espera, e é por isso que o teste tira a média de cinco rodadas e por que comparar você com você mesmo, no mesmo aparelho e na mesma hora, é a única comparação que este site defende. De onde vem a curva do percentil, e quanto dela ainda é suposição, está declarado na página Método.
Fontes
- Donders, F. C. (1868). "Over de snelheid van psychische processen", in Onderzoekingen gedaan in het Physiologisch Laboratorium der Utrechtsche Hoogeschool. Translated by W. G. Koster as "On the speed of mental processes", Acta Psychologica, 30 (1969), 412–431.
- Hick, W. E. (1952). "On the rate of gain of information". Quarterly Journal of Experimental Psychology, 4(1), 11–26.